18.5.11

Even if I come back, even if I die.

Eu sinto falta de escrever músicas. Eu sinto falta de pegar o meu violão e colocar num papel qualquer coisa que estiver na minha cabeça. Da gaveta cheia de folhas e palavras bagunçadas, embaraçadas, sem sentido. Era uma coisa pra mim, e eu deixei a minha inseguraça levar tudo embora.
Essa é uma das sensações que eu tenho saudades, e às vezes duvido muito de que vou conseguir recuperar. É como a força de vontade que eu tinha antes; eu consegui alcançar tanto! E agora eu acho que eu perdi um pouco disso, fiquei mais preguiçosa. Eu não sei o que aconteceu, não sei porque tudo começou a ficar tão relaxado, é como se eu tivesse deixado de me importar.
Não sou eu, eu não sou assim.
Tudo bem, tem milhões de coisas passando pela minha cabeça agora e mais do que nunca eu não faço idéia do que eu quero. Meu medo de voltar é tão grande quanto a saudade que eu tenho de algumas coisas, e não tem nada que faça um dos dois provar ser mais forte.
O tempo vai passando cada vez mais rápido e eu sinto como se não tivesse controle de nada. Eu queria parar e pensar um pouco em tudo. Parece que eu ainda não estou preparada para deixar Montreal, tem tanta coisa que eu quero fazer, descobrir, conhecer...
Mas talvez a timing seja mesmo perfeito; com seis meses eu não vou conseguir me apegar à algumas coisas (ou pessoas) do que com mais tempo, ou vou? Eu me sinto tão vaga, distante. Será que isso é normal?

"If you had a part of me, will you take your time?
 Even if I come back, even if I die. 
 Is there some idea to replace my life?"

Vale à pena? Mesmo que seja só por um instante? 


Trilha sonora: "For The Widows In Paradise" Sufjan Stevens


Au revoir! 
7.5.11

Twenty ways to see the world

O vento fresco, as folhas novas, céu azul... Eu amo a primavera! É incrível como me custou uma visita ao downtown hoje de manhã para perceber o quanto a cidade estava bonita. Montreal está cheia de vida depois de esse inverno prolongado e eu decidi que vou aproveitá-la ao MÁXIMO! 
Esses últimos dias tem sido bem difíceis pra mim, não quero entrar em detalhes porque não gosto de lembrar, e nem quero refletir sobre isso. Mas o que importa é que eu me conscientizei de que só tenho mais dois meses por aqui e não quero desperdiçar nenhum segundo.
Às vezes eu sinto que entro no modo automático e tudo passa super rápido, e eu sei que agora o tempo vai aparentar mais curto ainda. Então não vou esquentar a cabeça com coisas que podem ser evitadas e de certo modo contornadas.
A minha conversa regada à café puro, ovos Benetict e salmão defumado de hoje com os meus fiéis confidentes brasileiros Matheus e Flávia já me rendeu muito o que pensar, e eu acho que não importa as circunstâncias que você esteja, intercâmbio sempre vai ser uma experiência única. E se algo dá errado e você sabe que é mais forte do que isso e consegue resolver por conta própria, acaba sendo bem melhor do que criar um problema maior ainda.
Eu sou forte e eu sei que no final de tudo vou ter aprendido pra caramba. Se isso me custar alguns dias de choro e chá com leite, que seja, nada é pra sempre.

Trilha sonora: "You Only Live Once" The Strokes

Au revoir!
25.4.11

Life is much too short to sit and wonder..

 Depois de uma cochilada de cinco horas e meia e o meu estômago ainda cheio com o almoço festivo, eu me reviro na cama e os meus olhos vão se abrindo lentamente enquanto se acostumam com a luz que entra no quarto. São oito e meia e o sol de Montreal ainda não foi embora. A Rachel me contando o sonho dela fica em background, porque a minha cabeça está em outro lugar.
 Hoje foi a nossa páscoa aqui com a família Klove e eu me senti um pouco fora do lugar. A simpatia de todo mundo não foi o problema, definitivamente, mas a falta de um abraço familiar, alguém que me conhece a vida inteira, me deixou um pouquinho pra baixo.
Saudade pra mim é uma coisa esquisita. Eu não quero voltar pro Brasil, e muito menos preferia estar lá, mas o que me faz falta são algumas sensações. Sabe quando alguém te conhece mais do que você mesmo?
 Chega a ser um pouco assustador, pela primeira vez eu estou aprendendo a ser mais desapegada às coisas. E às vezes me pego pensando em sair pelo mundo, um ano em cada lugar, explorando, conhecendo, mudando. Novidade passou a ser uma das minhas coisas favoritas e a idéia de chegar em um lugar em que ninguém te conhece ou te viu antes me faz sorrir.
Tudo isso me faz pensar na minha palavra favorita: Efêmero. É nisso em que a vida se baseia. Tudo, tudo passa, e eu descobri a sensação de estar totalmente solta, livre, e saber que é inútil se prender a pequenas situações.
 E as fotos da minha gaveta vão continuar lá, guardando algum momento para mim. Eu sei disso, tem coisas que nunca se perdem, e mesmo que a gente mude milhões de vezes, se esqueça, desapareça, em algum momento voltamos às velhas fotografias pra se recordar.
 E é isso o que eu quero, experiências que tenham algum sentido, e que no final, por mais efêmero que seja, eu sempre tenha alguma foto pra guardar.

Trilha sonora: "Lifeline" - Ben Harper

Au revoir!
21.4.11

In the morning in the winter shade..

Brigadeiro com sorvete, roupas confortáveis, canecas cobertas de chá bem quente e todos os olhos da sala vidrados nos playoffs de hockey; clássico Boston X Montreal. Três gols para ambos os times e o suspense só aumenta. E a minha parte canadense vai aparencendo mais e mais.
Essa última semana, com o tanto de hockey que eu tenho assistido, o meu lado patriota se destacou completamente. Eu amo, amo mesmo esse país e só de pensar em voltar me dá um friozinho na barriga. Eu tenho uma saudade imensa do que eu deixei lá, e um carinho gigantesco por São Paulo, mas ao mesmo tempo eu sinto que não estou pronta pra sair de Montreal. Eu ainda tenho muita coisa pra viver por aqui.
Agora as coisas estão começando a se desenvolver e mesmo com alguns probleminhas, draminhas na escola, eu sinto uma sede tão grande de conhecer tudo, explorar todas as minhas possibilidades por aqui. E é nesse meio termo que eu entendo melhor algumas coisas sobre mim.
Estou tentando superar alguns desafios e provar para mim mesma do que eu sou capaz, e ainda sim eu fico com a sensação de ter o tempo todo um cronômetro no fundo da minha cabeça, contando todos os segundos, as experiências maravilhosas que eu passo por aqui.
E o tempo voa..

Trilha sonora: "Casimir Pulaski Day" - Sufjan Stevens

Au revoir!
14.4.11

Uma semana atrás..

"Holla! 
Acabei de voltar da academia, a casa está cheirando ao brunch épico que a Rachel resolveu cozinhar, os pais não estão em casa e o rádio esta no último volume! Cee Lo Green grita "Forget You" enquanto nós dançamos na sala coberta de sol que irradia pelas janelas abertas. O dia esta maravilhoso (: 
Semana que vem serão as viagens de formatura, o que significa que 180 alunos do Senior Year do LPHS (de 200) vão estar ou em Nova Iorque ou na Europa. Básico. Em quanto eu, e alguns dos 20 alunos que ficaram, vamos nos sentar nas mesmas cadeiras empoeiradas sete vezes ao dia e tentar ignorar a nossa vontade de ir embora.
Todos os dias eu me prometo que vou voltar à minha dieta e praticar mais exercícios. Mas não é bem o que vem acontecendo.. Bom, já estou super orgulhosa de como eu venho levando as coisas por enquanto, eu me controlo pra caramba e tenho academia 4 vezes por semana. O que dá pra manter, mas sinceramente, uns 3, 4 quilos à menos não me fariam nada mal! 
O PROM vai ser em julho, mas as expectativas de todo mundo já estão no céu; vestido, salto, limosine, unha, cabelo, maquiagem..  São praticamente as únicas palavaras que circulam pelos corredores lotados da escola. E sim, por mais que eu não me importe muito com alguns dos preparativos, eu sei que vou lembrar dessa noite por muito tempo. Então vamos fazer valeeer!
Um viva para um pouquinho de superficialidade canadense!
Au revoir!"

Sim, eu escrevi isso extamente uma semana atrás e esqueci de postar.. Beleza, beleza.. Mas o que importa é que estava salvo e agora está aqui (:

A trilha sonora é, obviamente: Forget You (Fuck You) - Cee Lo Green

27.3.11

Seeking out the memories I hold in

Chá com leite e mel, conversas jogadas fora na mesa de jantar, esmaltes espalhados, e eu, Cindy e Rachel rindo baixinho para não acordar o Baby Scott (bebê lindo da Cindy). Depois de um dia meio preguiçoso com direito à cinema no fim da tarde, aqui estamos, fazendo confissões e fofocando antes de ir dormir. O calor do chá está começando a me dar sono, e o barulho do vento batendo nas folhas secas do lado de fora me acalma.
Hoje eu estive pensando como é esquisito criar todos esses vínculos sabendo que talvez eu nunca mais veja essas pessoas, e que tudo está meio que numa corda bamba; por mais que eu queira me aproximar, eu não quero sentir falta. Mas eu já decidi. Vou aproveitar cada segundo, e não me importar como fim de tudo isso, eu vou fazer tudo o que eu tiver que fazer e não deixar nenhuma oportunidade escapar.
Eu percebi que eu já amo algumas pessoas aqui. Não só gosto, amo mesmo. E talvez elas permanecam na minha vida para sempre, mesmo que seja só na lembrança.
Já aprendi que tudo é efêmero e qualquer coisa um dia acaba se perdendo, desvanecendo sem que a gente perceba. Mesmo que eu me apegue, o tempo passa rápido, então não faz o menor sentido me preocupar.
Eu só quero passar por tudo isso e poder dizer no final "Foi bom em quanto durou" :)

Trilha sonora: Walnut Tree - Keane

Au revoir!
24.3.11

To the shores of freedom, where no one lives..

Jogada no sofá de canto da sala, assistindo os famosos rivais de ringue Montreal e Boston em uma partida bem acirrada de hockey, ignorando os bipes do celular e com a maior dor de cabeça do mundo. Eu me sinto bem melhor desde o último post. O segredo é saber que praticamente tudo é psicológico: Se eu não quero que alguma coisa me afete, é só pensar que não vai me afetar! E depois que passa você sente que fez uma super tempestade em um copo d'água, que todo o drama foi desnecessário, e é verdade, fazer de tudo para evitar esses momentos ruins é o mínimo que eu posso fazer. Tá tudo tão bom (:
Eu amo Montreal, amo mesmo, e não vou deixar coisas pequenas estragarem isso.
Agora estou fazendo contagem regressiva com os meus amigos para o meu sweet-sixteen canadense e tentando riscar o máximo de itens possíveis da minha lista de "Coisas para fazer em Montreal antes de voltar"!
As amizades estão ficando cada vez mais sólidas e eu tenho muito medo de pensar que julho está chegando.. Eu não queria que os dias passasem tão rápido, e às vezes eu até penso em ficar aqui pra sempre, mas sei que tem uma vida inteira esperando por mim no Brasil.
C'est la vie..


Trilha sonora: Joseph Arthur - Honey and The Moon

 
Au revoir!