You're almost over and I still don't know what to do you with you. It's scary, you know? To have a whole month to yourself, to anything you want to do. And that's the thing, I don't know, I'm still not sure. I can't really decide what to do with so much freedom, so I plan. I plan ways I should be, things I should do, and somehow it makes me feel less anxious about not knowing. And maybe those things will never even happend, but having them pushed a little bit more into the future, makes me feel like I still have time to figure things out before anything happens. Anyways.. it's winter here in Brazil, and I just love the gloom of winter mornings. As if I was in Lars Von Trier movie, I imagine everything in super slow motion, and I wait. I wait for that moment when everything clicks and you just know. I wait for something I'm still not sure about. I give it time to grow. I give you time, july.
27.7.14
28 jul 2014
Dear July,
You're almost over and I still don't know what to do you with you. It's scary, you know? To have a whole month to yourself, to anything you want to do. And that's the thing, I don't know, I'm still not sure. I can't really decide what to do with so much freedom, so I plan. I plan ways I should be, things I should do, and somehow it makes me feel less anxious about not knowing. And maybe those things will never even happend, but having them pushed a little bit more into the future, makes me feel like I still have time to figure things out before anything happens. Anyways.. it's winter here in Brazil, and I just love the gloom of winter mornings. As if I was in Lars Von Trier movie, I imagine everything in super slow motion, and I wait. I wait for that moment when everything clicks and you just know. I wait for something I'm still not sure about. I give it time to grow. I give you time, july.
You're almost over and I still don't know what to do you with you. It's scary, you know? To have a whole month to yourself, to anything you want to do. And that's the thing, I don't know, I'm still not sure. I can't really decide what to do with so much freedom, so I plan. I plan ways I should be, things I should do, and somehow it makes me feel less anxious about not knowing. And maybe those things will never even happend, but having them pushed a little bit more into the future, makes me feel like I still have time to figure things out before anything happens. Anyways.. it's winter here in Brazil, and I just love the gloom of winter mornings. As if I was in Lars Von Trier movie, I imagine everything in super slow motion, and I wait. I wait for that moment when everything clicks and you just know. I wait for something I'm still not sure about. I give it time to grow. I give you time, july.
19.7.14
sobre a melancolia das manhãs de inverno
É como uma quase-ação. Aqueles segundos sonolentos que antecedem um impulso pelo fazer, mas não chega a ser o suficiente. Olhar fixamente para alguma coisa esperando que ela se faça, se desfaça por si só. E nada. Nada sequer muda de lugar. Apesar do pesar, do peso mesmo, que é tão grande que faz som, ruído de interferência. O fluxo constante de poluição visual e sonora, que ronda, te observa, que pesa. E você continua aqui, no quase, no entremeio.
Parece até que as coisas gritam. O jornal deixado de lado na mesa, as chaves, a porta. Eles gritam, te chamam, te sacodem. E de que adianta? Podem fazer ou não fazer, cumprir ou não cumprir, mas de que servirá? No fim são só rodeios que voltam ao mesmo lugar. Discursos imperativos, tão afiados que atravessam. Eu levanto e sirvo mais café. Mais café para acordar, para ter energia, para ter proveito. Para mostrar proveito.
E no sábado seguinte estarei na mesma mesa, com o mesmo jornal por ler, as chaves, a porta. O mesmo enquadro que espera alguma ação, e eu servirei mais café.
Trilha Sonhora: Oskar Schuster - Les Îles Féroé
Parece até que as coisas gritam. O jornal deixado de lado na mesa, as chaves, a porta. Eles gritam, te chamam, te sacodem. E de que adianta? Podem fazer ou não fazer, cumprir ou não cumprir, mas de que servirá? No fim são só rodeios que voltam ao mesmo lugar. Discursos imperativos, tão afiados que atravessam. Eu levanto e sirvo mais café. Mais café para acordar, para ter energia, para ter proveito. Para mostrar proveito.
E no sábado seguinte estarei na mesma mesa, com o mesmo jornal por ler, as chaves, a porta. O mesmo enquadro que espera alguma ação, e eu servirei mais café.
Trilha Sonhora: Oskar Schuster - Les Îles Féroé
27.6.14
circo dos discursos circulares
Eu afirmo, reafirmo, e o faço novamente, só para não fazê-lo de verdade. Eu sei do que eu preciso, eu sei o que na minha cabeça é o mais prudente, se é que posso colocar assim, mas muitas vezes não ponho em prática. "A comunicação é essencial" eu sempre imponho, mas quem disse que eu me comunico? Eu participo do circo de histórias arredondadas que tornam as coisas mais bonitas, mais aceitáveis, mas e o feio, o afiado, o dolorido? Nunca estão no meu discurso. Quer dizer, não quando se referem a mim.
O mais duro é saber de tudo isso e não fazer nada a respeito. Queria eu ter o poder de entender os meus problemas e saber resolvê-los ali na hora, mas é como se naquele exato momento eu me sentisse tão ameaçada a ponto de esquecer tudo o que acho sensato. Pause e eu tateio pela resposta mais fácil de engolir, a que seja mais esférica, que me faça parecer melhor. E aí eu entro na mesma lógica midiática de valores projetados (teoria de Morin); mediocridade, conformismo, acriticismo e conservadorismo, seguidos à risca.
Mediocridade ao superficializar a situação, sem julgamento dialético algum (como ao que me referi naquele post com a trilha do Jack Johnson). Conformismo ao entregar uma mensagem tão lapidada, tão mastigada, a ponto de não haver outra reação por parte do meu receptor se não a de se conformar. Acriticismo, pois com o diálogo tão redondo não há como argumentar, eu te jogo no loop da minha montanha russa (mais uma vez, a mesma do post do Jack), em que você perde todo o seu poder crítico de juízo (nos termos adornianos). E por fim, e talvez mais valorizado entre todos os outros, vem o conservadorismo: eu necessariamente me saio imparcial no fim da história, pareço bem para todos os lados, afinal, o problema já não era nem meu.
Pronto, resolvido, falei, falei, falei, e não disse nada. Não comuniquei o que realmente estava pensando de tudo aquilo. E será que eu sequer lembro de como se identifica isso? Será que eu sei o que eu realmente sinto, ou só o que eu quero sentir? É como se meu cérebro tivesse se acostumado a resolver as equações colocando outras por cima, num movimento de abstração eterna das formas sólidas; as falas só se embaraçam mais e, de camada em camada, perdem totalmente o sentido que um dia já tiveram. Eu passo da fração pro decimal, decimal para a fração, e nem sei do que se trata: no fim das contas, são só números, não?
Numerosas sim foram as vezes que eu coloquei a comunicação como essencial. Tamanha ironia que eu, estudante da tal comunicação, até agora não havia entendido de verdade que pratico todo dia o que eu critico. Critico no papel, na prova, no trabalho, o mesmo discurso que reproduzo sem nem perceber. Corpo-mídia se faz cada vez mais claro, e Debord ainda mais genial: a sociedade do espetáculo produz e reproduz seu conteúdo fantástico, todo feito de imagens, projetando e se apropriando de formas feitas de aparência.
Trilha sonora: Anthem - Emancipator (Twoven Downtempo remix)
26.2.14
EXP. 3 - 3h15; uma crônica que todo intercambista já viveu
3h15. Era o meu primeiro dia sozinha.
Logo cedinho, vi pelo fresta da porta a luz da cozinha ser acesa. Se ouvia as colheres enchendo de leite com cereal, serem levadas à boca e depois recolocadas na porcelana; posicionadas na mesma mesa em que, mais tarde, estaria um bilhete escrito especialmente para mim, desejando uma boa manhã. Esperei o barulho da chave virando para me levantar. Na ponta dos pés levei meu corpo em passos inseguros para explorar. A luz ainda apagada de receio. Inspirações e expirações calculadas para não fazer barulho. Cruzei o corredor.
Tudo tão contornado, recheado de uma história que não era minha. Estranho. Vacilei a perna quando, um pouco abaixo da canela, senti um serzinho ainda desconhecido me dar boas vindas. Saltitante, assim como as expressões dos personagens nas fotos que me observavam. Sem nome. Tentava ligar os rostos vazios com as histórias que me contaram no carro quando viemos do aeroporto. Tava tão escuro. A tia era a loira ou aquela de blusa verde? E a filha, qual?
Esqueci onde ficava o pão que eles tinham me mostrado. Vasculhei um pouco pelos armários, recolocando as embalagens com os rótulos virados para o mesmo lado que deixaram. Achei, mas e a manteiga?
Algumas horas depois, louça lavada, peguei o tal do bilhete. 3h20 estariam de volta. Pontuais, antecipados ou atrasados? Relógio marcando, ritmado. Eram 3h15.
23.9.13
DES IGUAL
Sempre falo sobre equilíbrio, a importância de se manter estável em relação a todas as partes.
As partes, digo, que te compõe, que compõe o em volta e o coletivo.
Um tanto quanto impossível.
Impossível manter-se intacto a qualquer tendência, pendência que temos sobre alguma destas partes.
E isso varia, oscila e se alterna diacronicamente, porém sincrônico aos nossos processos.
Exijo isso de mim o tempo todo. E, segundo minha mãe, exijo isso dos outros também.
Não acho que seja verdade.
Acho inclusive que ora aceito a demasiada inconstância alheia, ora só deixo de lado.
Nunca a confronto.
Pensando bem, minha ideia de equilíbrio platônico pode muito bem ser traduzida em uma felicidade momentânea. Algo que me faça acreditar que estou em plena estabilidade.
Uma combinação ideal do valor de cada parte que funcione, compense, e me sustente.
Meu equilíbrio desigual.
Trilha sonora: Runaway - Del Shannon
As partes, digo, que te compõe, que compõe o em volta e o coletivo.
Um tanto quanto impossível.
Impossível manter-se intacto a qualquer tendência, pendência que temos sobre alguma destas partes.
E isso varia, oscila e se alterna diacronicamente, porém sincrônico aos nossos processos.
Exijo isso de mim o tempo todo. E, segundo minha mãe, exijo isso dos outros também.
Não acho que seja verdade.
Acho inclusive que ora aceito a demasiada inconstância alheia, ora só deixo de lado.
Nunca a confronto.
Pensando bem, minha ideia de equilíbrio platônico pode muito bem ser traduzida em uma felicidade momentânea. Algo que me faça acreditar que estou em plena estabilidade.
Uma combinação ideal do valor de cada parte que funcione, compense, e me sustente.
Meu equilíbrio desigual.
Trilha sonora: Runaway - Del Shannon
9.9.13
pela metade
não quero ser resto de final de amor
não quero mais sentir as coisas como oportunidades, possibilidades,
quero senti-las por si só, por inteiro
ultimamente tudo tem sido pela metade
talvez eu mesma esteja em partes
eu nunca sou inteira
acho que sou exigente demais
esperando que as pessoas me enxerguem por completo, direto, sem parar no superficial
impossível é querer delas, uma coisa que não estou, mas sou
isso confunde
e até (me) ilude
sobre as vontades
afinal, eu quero o simples
eu quero que me enxergue
que me olhe, me analise, me questione, me acrescente
e não me veja como um parêntesis
gostoso de companhia, passivo
eu não sou passiva
eu sou inteira
gente
Trilha sonora: My Body is a Cage - Peter Gabriel
14.8.13
NUMB
Às vezes eu deixo de pensar nas composturas, passo a sentir mais as texturas, as coisas que a gente vê mas não enxerga. É como um botão de liga/desliga, só que no automático, sem nenhuma embreagem para pressionar. E, por mais queira soltar e apertar o acelerador, ele não vinga, não existe. Eu fico sem pés.
Queria eu aproveitar esse momento para entender melhor o que está no meu subjetivo, mas quanto mais eu tento chegar perto da ideia, mais distante eu vou ficando de mim, meu corpo tá longe. E eu perco, me perco nos giros soltos que vou dando para cumprir as burocracias. Cambaleio pelas conversas, já não entendo mais de festas e muito menos de como me portar. É como se tivessem apagado tudo. Ou tudo tivesse perdido o sentido, as coisas parecem tão bobas.
O assustador é perder o tato e ao mesmo tempo visualizar tanta coisa, tanto detalhe. As coisas vão virando gente e a gente vai perdendo cor, ou pelo menos eu, eu perdi cor. Me apaguei, me deitei. E não consigo mais saber se o que eu sinto é nulo ou dor. Ou nenhum dos dois.
E eu fico indiferente a tudo. Vou passando, vou deixando, vou andando sem ninguém.
Trilha sonora: Oskar Schuster - Les Sablons
Au revoir
Queria eu aproveitar esse momento para entender melhor o que está no meu subjetivo, mas quanto mais eu tento chegar perto da ideia, mais distante eu vou ficando de mim, meu corpo tá longe. E eu perco, me perco nos giros soltos que vou dando para cumprir as burocracias. Cambaleio pelas conversas, já não entendo mais de festas e muito menos de como me portar. É como se tivessem apagado tudo. Ou tudo tivesse perdido o sentido, as coisas parecem tão bobas.
O assustador é perder o tato e ao mesmo tempo visualizar tanta coisa, tanto detalhe. As coisas vão virando gente e a gente vai perdendo cor, ou pelo menos eu, eu perdi cor. Me apaguei, me deitei. E não consigo mais saber se o que eu sinto é nulo ou dor. Ou nenhum dos dois.
E eu fico indiferente a tudo. Vou passando, vou deixando, vou andando sem ninguém.
Trilha sonora: Oskar Schuster - Les Sablons
Au revoir
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