5.4.13

EXP. 01


1.4.13

Fascination ends

 A habilidade de negar sensações e percepções naturais em pró da convivência social já está totalmente integrada nos signos culturais. 
 Eu tentei, escrevendo e reescrevendo, por em palavras o que estava na minha cabeça hoje de manhã e, infelizmente, foi essa frase que saiu. Infelizmente porque ela não expressa nem metade do que eu queria dizer, mas até aí, talvez isso também não seja apropriado. Ultimamente os pensamentos já não se organizam mais em linhas na minha cabeça. Eles vem em imagens, sons e cheiros, como que sonhos que eu nunca tive. Confesso que já tentei, mais de uma vez, colocá-los de alguma forma aqui no blog, mas nada parece ilustrativo o bastante. É frustrante.
 Apesar de saber que um conteúdo subjetivo nunca vai conseguir ser traduzido e repassado por completo (de nenhuma forma), eu insisto em tentar, de todos os jeitos, compartilhar. É burrice pensar que vai ser de interesse geral, mas tem vezes que parece valer à pena. E é aí em que entra a frase inicial.
 Esses dias eu tive uma vontade imensa de colocar para fora algumas coisas da minha cabeça para uma pessoa que eu mal conheço. Talvez tenha sido por intuição, mas o que quer que seja, ainda foi insufisciente para permitir que isso acontecesse. A questão não é a conveniência de se falar ou não, e sim o que vem depois: uma necessidade quase que imediata de se explicar.
 É preciso explicar-se para tudo o que não é convencional, como se aquilo te atribuísse algum tipo de culpa. Como se qualquer reação inesperada precisasse de justificativa.
 Ao fazer algo pura e simplesmente porque deu vontade (quase que inconsciente), se não os outros, nós mesmo já começamos a nos perguntar o porque daquilo. O porque da vontade, as consequências dela, e por aí vai... Por mais efêmera que seja. Mas aí é que está: nem sempre a gente tem justificativa. Às vezes as coisas são e pronto. Elas só são.




Trilha sonora: Not in Love - Crystal Castles (ft. Robert Smith)

Au revoir


16.12.12

Instead they are looking up towards the heavens...

  Às vezes estamos tão próximos de algo que acaba sendo difícil enxergar todas as suas possíbilidades com um olhar sensato. Como a teoria da montanha russa de Sevcenko, quando o homem quebra as barreiras religiosas e embarca nas grandes navegações, ele perde noção de sua virtualidade e entende o mundo agora com referências diferentes. Isso seria o começo de um passeio na montanha russa, quando o carrinho vai, lentamente, escalando os trilhos e chegando cada vez mais alto. O momento em que ele está por um triz da descida, com toda a potencialidade armazenada, é quando chegamos ao ápice da lucidez. Adquirimos uma distância suficiente para observar tudo bem de longe, e as coisas parecem muito diferentes do que eram antes. É como se todos os rostos familiares se perdessem em uma multidão, e agora, por mais que tenhamos uma percepção mais crítica, precisamos reaprender a julgar, a avaliar.
 Eu sinto que isso se aplica a muitos momentos da vida, principalmente aos de transição, e é muito bom saber que sempre existe a possibilidade de olharmos tudo do alto da montanha russa. Algumas situações podem ser bem confusas e, por mais que tentemos agir da maneira mais prudente possível, às vezes um simples passo para trás nos dá o foco perfeito. É tudo uma questão de achar o ângulo certo.
 Acho que é por isso que mudamos tanto de opinião. Sempre tem um ponto de vista diferente em que uma outra alternativa pode parecer mais coerente do que a anterior. Sempre tem um outro lado.

Trilha sonora: Traffic In The Sky - Jack Johnson

Au revoir!
8.12.12

You say you wanna start something new

 É isso aí, meia-noite e meia, véspera do meu último vestibular do ano, e eu, desleixadamente, cantando um clássico dos anos 70 com a minha escova de dentes na mão. É engraçado pensar em como as coisas podem mudar em um período de tempo tão curto, basta alguns acontecimentos se encaixarem da maneira correta.
  No começo desse ano eu tinha um plano muito certo. Ou pelo menos achava que tinha. Para mim, não era segredo nenhum o que aconteceria depois que escola acabasse. Eu iria estudar muito, passar no vestibular e, no ano seguinte, embarcar na vida uniersitária. Simples assim. Eu não imaginava o quão irregular e estimulante 2012 seria.
 Por mais que o ano não tenha deixado milhares histórias maravilhosas para contar, a vivência dele em si foi muito complicada e, mais do que isso, importante para mim. Importante no sentido de aprender que existem muitos outros lados de mim mesma que eu não conhecia, e que às vezes tudo bem não seguir as coisas conforme o planejado.
 Durante toda a minha vida eu tentei provar a mim mesma que conseguiria atingir minhas metas, mas nunca tinha parado para pensar o que cada uma delas significava. Às vezes nós colocamos nossos objetivos tão à frente de tudo que acabamos reprimindo todos os outros caminhos alternativos. E, quando meu objetivo a longo prazo deixou de ser tão distânte e se tornou realidade, eu percebi que talvez ele não tudo aquilo que eu queria para esse momento da minha vida.
 Por mais que eu odeie admitir, eu estou morrendo de medo. Pela primeira vez eu não tenho certeza nenhuma do que vai acontecer a partir de agora, e isso é aterrorizante. Ao mesmo tempo, eu não consigo deixar de pensar nas inúmeras possibilidades quânticas que eu tenho pela frente. Assim como com o gato de Schrödinger, tudo pode acontecer.
Cat Stevens estava completamente certo, "It's a wild world".

Trilha sonora: Wild World - Cat Stevens

Au revoir!
30.8.12

Past all the signs of the slow decline

 Às vezes eu seriamente acho que as coisas das quais eu sempre pensei que fossem predestinadas a acontecer talvez não caibam mesmo na minha vida.
 Sei lá, eu me preocupo com coisas tão pequenas, tão bobas perto de pessoas com problemas de verdade. Eu me sinto muito mal mesmo por isso, e começo a me preocupar em me preocupar com coisas diferentes. É. Eu sei....
 Bom, a questão é que eu nunca entendo direito se não estou dando valor as coisas certas, ou só me encontrando com as erradas. É engraçado como eu sempre acho que dessa vez vai dar certo, e não dá. Ou é falta de confiança em mim mesma ou confiança demais no destino. Se é que isso existe mesmo.
 Sabe quando a gente é criança e se imagina no futuro de um jeito muito distorcido, mas, de alguma forma, certo? Mesmo que nós tentemos ao máximo afastar dessa memória e preencher o espaço com coisas mais "reais", mais adultas, ela sempre vai estar lá, nos assombrando.
 Eu não sou alta, magra, inteligente ou bem sucedida como eu achei que seria. Mas eu sou muitas outras coisas, coisas que eu nunca imaginei que seria. E por mais que às vezes a minha idéia de quem eu deveria ser não é correspondida por quem eu realmente sou, eu acabo me surpreendendo com outros detalhes, detalhes que eu não percebia antes, e que, bons ou ruins, ainda vão estar por perto.
 Me conforta a idéia de que ainda tem muito chão por vir, muitas oportunidades de mudar, das minhas idéias mudarem, e quem sabe eu construir algumas expectativas novas? Não mais reais, não mais adultas, mas diferentes... Diferente é bom.

 Trilha sonora:  Featherstone - The Paper Kites

Au revoir!




25.8.12

Till it eats the heart from your soul..

 Desculpas são pretextos nos quais nos inserimos para evitar algum o domínio de realidade na vida. Criamos, pensamos, estruturamos e nos enganamos. E mesmo que isso nos prenda em algo bom ou ruim, nunca vai ser de verdade. Apalpável.
 O problema é se perder dentro de suas próprias invenções, caminhos meticulosos que desembocam em labirintos e, em teoria, mascaram a entrada para um outro lado mais difícil (muitas vezes só por aparência). A gente não sabe mais o que já estava ou não no caminho e construimos inseguranças, obstáculos falsos, nos armando de qualquer recurso que estiver a mão. E aí já era. Está tudo misturado.  
  Podemos até fingir permanência em alguns aspéctos, mas garanto que de permantes não terão nada. De tantas promessas, feitas, desfeitas, esquecidas ou até relembradas, no fim o que resta é o que foi feito. Então mesmo que deixemos para a semana que vem, mês que vem, futuro que vem, elas não vão se realizar se não forem colocadas pra fora do imaginário.
   É assim que a vida funiciona, matéria não é feita de suposições.

Trilha sonora: Silent Sigh - Badly Drown Boy

Au revoir!
6.7.12

I climbed this hill watching so still

 Em muitos momentos nossas razões parecem tão certas, tão justificáveis, e mesmo tempo são tão difíceis de se entender quando as confrontamos. Até que desistimos de nos explicar: ou nos enganamos com algum motivo aparentemente válido; ou esquecemos. E vão se acumulando, vão se perdendo. Ou melhor, se mantendo.
São como gotas de chumbo colocadas na água. Elas descem, se instalam e lá ficam. Estáticas. Buracos em areia fina sem perceber.
E se acumulam, por tempos, e tempos, até chegar à superfície. E aí em que reais decisões são tomadas, aí que tudo se mescla, contorce, disorce e vira palavra. Palavra fria e sem razão, mas solta.
Distorcidas mesmo são as ramificações nas quais os nossos laços se estendem. São as nossas idealizações de parentesco e como tudo realmente é.
O que é pai, mãe, irmão?
Se são ideiais separados em um mesmo espaço, talvez sejam só corpos em um encontro. Sem qualquer ligação.
E quando se perde o último vínculo que mantia todo o chumbo coberto, só se vê a superfície, e, ao mesmo tempo, não se vê mais nada. É como estar nua numa valsa programada.

Trilha sonora: "To Be With You" - The Honey Trees

Au revoir.