19.7.14

sobre a melancolia das manhãs de inverno

   É como uma quase-ação. Aqueles segundos sonolentos que antecedem um impulso pelo fazer, mas não chega a ser o suficiente. Olhar fixamente para alguma coisa esperando que ela se faça, se desfaça por si só. E nada. Nada sequer muda de lugar. Apesar do pesar, do peso mesmo, que é tão grande que faz som, ruído de interferência. O fluxo constante de poluição visual e sonora, que ronda, te observa, que pesa. E você continua aqui, no quase, no entremeio.
  Parece até que as coisas gritam. O jornal deixado de lado na mesa, as chaves, a porta. Eles gritam, te chamam, te sacodem. E de que adianta? Podem fazer ou não fazer, cumprir ou não cumprir, mas de que servirá? No fim são só rodeios que voltam ao mesmo lugar. Discursos imperativos, tão afiados que atravessam. Eu levanto e sirvo mais café. Mais café para acordar, para ter energia, para ter proveito. Para mostrar proveito.
   E no sábado seguinte estarei na mesma mesa, com o mesmo jornal por ler, as chaves, a porta. O mesmo enquadro que espera alguma ação, e eu servirei mais café.

Trilha Sonhora: Oskar Schuster - Les Îles Féroé

1 comentários:

Que lindo seus textos li :)
- Leo

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